“Melancia! Olha a melancia! Aproveite! Oferta especial! Olha a melancia! Já! Já! Já! Agora mesmo!”
Quem anunciava era um vendedor, com um megafone, bem embaixo da minha janela. Embora deteste ser acordado com urgências, pois as julgo falta de planejamento, o fato era que eu tinha um chamado urgente a atender, relativo a um grande problema. Tomei um copo de leite e sai de pijama mesmo, para o Chefe ver que emergências incomodam. Do meu apartamento, no centro de São Paulo, até a sede da Seção, a beira de uma das principais artérias da cidade, não é longe. Porém, nem sempre é rápido ir devido ao conturbado trânsito. Assim, fui até a avenida próxima e deitei-me no chão. Encheu de gente olhando, mas o resgate do Corpo de Bombeiros, sempre competente, com o meu fiel motorista Alfredo a bordo, logo chegou. Método eficaz de deslocamento, eu o condeno por ser muito desagradável ficar no meio da rua, todo mundo olhando, comentando: “já está morto”, “foi o táxi que eu vi”, “é bêbado, olha a roupa” e vai por aí afora. O importante foi que em instantes eu estava onde deveria estar.
A Seção de Investigações Especiais, empresa de economia mista ligada ao Governo Federal, está instalada, provisoriamente, há anos, em um sobradinho. Em sua inocente fachada, apenas um grande letreiro de néon informa: “RELAX FOR MEN”. Em letras menores: “as melhores garotas”. Um disfarce perfeito para nossas atividades, porque não chama a menor atenção o entra e sai de Agentes, 24 horas por dia. Entrei. No salão, na parte da frente da casa, o de sempre: garotas sonolentas em um sofá, uma mesinha ocupada aqui outra ali, algum barrigudinho jogando conversa fora, uma jovem dançando em volta do cano metálico, uma música vinda de lugar nenhum. Uma morena, trajando um conjunto de saia e blusa, estampado, com um belo decote mostrando seios fartos, estava sentada em um banquinho, o de pé torto, junto ao balcão, e fumava perdida em pensamentos desconhecidos. Entretanto, eu não tinha tempo para observar detalhes. Fui direto ao banheiro, entrei na cabine “pênis pequeno - uso exclusivo”, que ninguém usa, acionei a descarga, a porta secreta se abriu e já ouvi o Chefe falando, digo, gritando da sala dele:
terça-feira, 24 de junho de 2008
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2 comentários:
Tou rindo até agora, Luiz....e querendo saber o final dessa história.....rs
Aliás, querendo não....exigindo!
Duas coisas. Uma: você me deu uma ótima idéia para quando eu estiver com pressa em dia de trânsito. Duas: se você não escrever o final da história, nós vamos. Você não sabe que mulheres não agüentam assuntos inacabados?
Bjs
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